Xbox 360 com 6 jogos e todos os acessórios a £1000 (aquando do seu lançamento). Wii a rondar as £300 e o privilégio em obter uma PlayStation 3 em dia de lançamento na Europa através do parceiro oficial de lançamento uns incríveis £675. Consegue notar a semelhança?Não! Não estou a falar do facto de todas serem, mais ou menos, consolas. Também não estou a falar das disparidades que existem entre os preços oficiais e os praticados. Falo sim na generalização de uma tendência.
Jogos para a X360 e PS3 a rondarem as £45, jogos Wii a chegarem as £40 é que nem as pequenas portáteis foram poupadas, com os jogos PSP a atingirem os preços dos da Wii e os da DS com valor equivalente dos da geração caseira anterior. O problema? O oportunismo de todas a partes envolventes na criação e disponibilização dos jogos em fazerem um lucro extra á custa dos jogadores.
Há quem legitime estes aumentos com os custos inerentes na produção de jogos de vídeo. Que é de facto uma justificação plausível, especialmente nos casos da Xbox 360 e PlayStation 3 que representam um salto significativo em termos de complexidade envolvida na produção dos mesmos. Todavia a mesma razão de modo nenhum deve ser aplicada as restantes plataformas disponíveis (DS, PSP e Wii) já que estas dão uso a tecnologia datada.
Então como é que se pode justificar o aumento dos preços referentes a indústria de videojogos, fora algumas excepções?
Já tem vindo a ser típico, em lançamentos, ver-se as consolas a serem vendidas a preços que ultrapassam largamente os oficiais, na sua maior parte devido a básica regra da procura e da oferta, que sempre definiu a economia de mercado. Entretanto, devido a crescente importância desta indústria nos últimos anos, estes preços têm sido cada vez mais atractivos à aqueles que revelam pouco ou nenhum interesse por este meio a não ser para fazer-se um lucro rápido. Mas esta tendência afecta somente os primeiros adoptantes, que representam definitivamente um grupo pequeno do mercado alvo.
Os retalhistas, por sua vez, têm vindo a criar uma forte pressão aos construtores e distribuidores em relação as margens de lucro que a venda destes produtos lhes proporciona. Provávelmente não porque as margens são pequenas, mas porque o número de jogos susceptíveis a descerem de preço, nos dias que se seguem ao lançamento, têm vindo a aumentar com a forte concorrência do mercado de segunda mão, mas também a forte pressão criada por lojas de retalho on-line e o constante aumento de títulos de fraca ou medíocre qualidade que têm invadido o mercado. Factores que obrigam a redução das margens de lucro por parte de todas as entidades envolvidas na comercialização de videojogos. É possível que este efeito tenha sido criado pela indústria em si, mas também pelo crescente fenómeno que é a pirataria nos tempos que correm, tendo estes dois factores puxado pela enorme falta de originalidade que existem nos jogos, na massificação de sequelas e na diminuição da proporção existente entre a qualidade e a quantidade nos jogos que para todos os efeitos o consumidor acaba por pagar no aumento dos preços. Apesar do crescimento em termos de vendas e na multiplicação dos métodos de rendimento, com recurso a publicidade in-game e a criação de conteúdos episódicos.
De certeza que existem outras razões, mais ou menos honestas, que justifiquem o recorrente aumento de preços que temos assistido nesta última geração de consolas. Mas de maneira nenhuma é justo fazer jogadores legítimos pagarem pelos erros da própria indústria, ou cobrar por aquilo que muitos fazem e ninguém admite, quando o mercado dos videojogos só tem crescido ao longo dos anos. É claro que o consumidor, ou o jogador, tem a sua parte da culpa quando se dedica a comprar sequelas atrás de sequelas do mesmo jogo todos os anos e que neste caso o próprio deve ser educado caso contrário continuaremos a perder gemas como a Clover Studios.
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