sexta-feira, 21 de julho de 2006

Visão...

Em Junho, uma revista semanal de renome, “The Economist”, escreveu:

“Em Março fez-se história musical na Grã-Bretanha, quando uma banda Americana nomeada Gnarls Barkley chegou ao top da lista de singles sem que a sua música estivesse disponível nas lojas. Pela primeira vez em qualquer lugar, uma música tinha sido propulsada para o lugar do topo inteiramente pelos downloads feitos na internet.”

Este é de facto um evento importante na história da indústria musical. Mas não deixa de ser menos importante para as outras indústrias que estão a aderir, ou aderiram posteriormente a era de distribuição digital. Marcando uma mudança radical nos hábitos do consumidor e por consequente na maneira como esta [indústria] no futuro pode vir a funcionar.

Enquanto esse impacto possa parecer somente positivo, este não deixa de ter repercussões no mercado mais tradicional, e o visado desta vez é o mercado dos álbuns. Tipicamente os álbuns são, ou se tornaram num meio em que se compra três ou quatro boas músicas e o resto tem a tendência de ser “lixo” para encher o CD (neste caso).

À distribuição digital veio dar o poder ao consumidor de filtrar o lixo e a possibilidade de não ter que pagar por ele [o lixo].

Com o aumento significativo dos custos de produção e desenvolvimento de jogos na geração que vem, as editoras, assim como as equipas de desenvolvimento, lançaram-se em várias ondas a procura de aumentar o rendimento destes mesmos. Entre eles encontra-se a criação de jogos por episódio, no qual um suposto jogo é lançado em trilogia à la Kill Bill. Tal permite diminuir o impacto financeiro de um fracasso e uma melhor eficácia na collecção dos lucros de um sucesso.

Mas tal não impede o aparecimento de jogos que foram executados terrívelmente, ou mesmo daqueles em que a execução foi algo irregular, oscilando entre o genial e o horrível... Um exemplo desse tipo de jogos, são os que forçam complementar a experiência vendida com o habitual número de mini-jogos, que por vezes pouco trazem à estes, ou chegam a se tornarem melhores que a experiência original.

É claro que nestes casos, o melhor era se fosse dado a possibilidade ao consumidor de escolher os momentos, desses jogos, que mais lhe agradam e somente pagar por esses. Comprar a vertente batalha do Mario Kart, ou o modo pesca de Zelda e a nova história do Metroid Prime como se de um novo script se tratasse, tornariam-se numa realidade em que os bons jogos teriam sempre um lugar de destaque!

Não só isso eliminava grande parte dos custos, mas também cortava a necessidade da indústria em lançar versões de um mesmo jogo/saga anualmente ao mesmo tempo que poderia se tornar na resposta ao que a indústria precisa neste momento para se poder aproximar cada vez mais das outras indústrias de entretenimento, especialmente a do cinema em termos de “story telling”.

A única questão que resta, é saber se a indústria chegará a evoluir nesta direcção? E caso isso aconteça será que as consequências que terá na indústria serão uma réplica daquilo que pode vir acontecer na da música (que ainda são desconhecidas a presente)?

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